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Tem um silêncio dentro de mim que ninguém escuta

Tem dias em que tudo dentro de mim fica quieto.

Não é calma.
É vazio.

Eu olho ao redor e vejo a vida acontecendo, gente indo, vindo, falando, rindo.
Mas aqui dentro, parece que alguém abaixou o volume de tudo.
As coisas chegam, mas não atravessam.
Nada fica.

É estranho sentir que você está presente e, ao mesmo tempo, não está.
Como se o corpo estivesse ali, mas a alma tivesse dado um passo para trás.

Eu já tentei explicar isso.

Mas não é fácil colocar em palavras um silêncio que não faz barulho.
Porque não é tristeza clara, não é dor explícita.
É ausência.

Ausência de vontade.
Ausência de sentido.
Ausência de algo que você nem sabe nomear.

E o mais difícil é que, por fora, nada parece errado.

Você continua funcionando.
Faz o que precisa ser feito.
Responde, resolve, participa.
Mas por dentro, existe uma distância.

Como se tudo estivesse acontecendo um pouco longe demais.

E aí vem a culpa.

Por não sentir como antes.
Por não reagir como esperavam.
Por não conseguir explicar o que nem você entende direito.

Mas foi ali que eu percebi.

Esse vazio não nasceu do nada.

Ele foi construído.

De cada vez que eu engoli o que sentia.
De cada vez que eu me calei para não incomodar.
De cada vez que eu ignorei o que doía para manter tudo em ordem.

A gente aprende a se adaptar.
A caber.
A não pesar.

E, sem perceber, vai se afastando de si mesmo.

Vai se desconectando das próprias emoções.
Vai deixando de se escutar.

Até que chega um momento em que tudo dentro de você fica em silêncio.

Não porque não existe mais sentimento.

Mas porque você passou tempo demais não permitindo que ele existisse.

E quando isso acontece, não adianta tentar se forçar a sentir de novo.

Não volta no grito.
Não volta na pressa.

Volta no cuidado.

Volta quando você começa a olhar para dentro sem fugir.
Quando você aceita que tem coisas ali que ficaram guardadas tempo demais.
Quando você se permite sentir sem julgamento.

Mesmo que seja pouco.
Mesmo que seja estranho no começo.

Porque esse silêncio não é o fim.

É um sinal.

Um aviso de que você se afastou de quem você é.
E que talvez seja hora de voltar.

Devagar.

Sem cobrança.
Sem pressa de se reconhecer inteiro de novo.

Só ficando.

Só escutando.

Só permitindo.

Até que, um dia, alguma coisa dentro de você responde.

E o silêncio deixa de ser vazio.

E passa a ser espaço.

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