Você não é intenso, você só não sabe se posicionar

Tem gente que chama de intensidade o que, na verdade, é falta de limite.
Parece bonito dizer que sente demais.
Que se entrega demais.
Que vive tudo com profundidade.
Mas, na prática, isso quase sempre significa outra coisa.
Significa que você não sabe dizer não.
Que aceita mais do que deveria.
Que fica quando já deveria ter ido.
E depois chama isso de intensidade.
Eu já vi isso de perto.
Gente que se doa inteira para quem entrega metade.
Que justifica ausência.
Que entende demais, aceita demais, espera demais.
E no fim, sempre sobra a mesma sensação.
De desgaste.
Porque não é intensidade quando você se perde no outro.
É desorganização emocional.
É falta de posicionamento.
Você não está sofrendo porque sente muito.
Está sofrendo porque não sustenta o que sente com atitude.
Porque sentir é fácil.
Difícil é se posicionar.
Difícil é olhar para uma situação e admitir que aquilo não serve.
Difícil é colocar limite sem medo de perder.
Difícil é sair sem precisar ser expulso.
Mas foi ali que eu percebi.
A maioria das pessoas não vive relações ruins por falta de amor.
Vive por falta de postura.
Fica esperando o outro mudar.
Fica tentando ser suficiente.
Fica acreditando que, se insistir mais um pouco, algo vai ser diferente.
Não vai.
Porque quem não se posiciona, ensina o outro até onde pode ir.
E o outro vai.
Vai testar.
Vai avançar.
Vai ocupar o espaço que você deixa aberto.
E quando você vê, já perdeu o controle da situação.
Não porque o outro é ruim.
Mas porque você nunca definiu um limite claro.
Intensidade de verdade não é se entregar sem filtro.
É saber até onde você vai.
É sentir, mas não se abandonar.
É gostar, mas não se diminuir.
É estar, mas não a qualquer custo.
Só que isso exige coragem.
Coragem de desagradar.
Coragem de perder.
Coragem de sustentar a própria decisão.
E a maioria evita isso.
Prefere continuar sofrendo com algo conhecido
do que enfrentar o desconforto de se posicionar.
Só que isso tem preço.
Um preço silencioso, acumulativo.
Que vai desgastando sua autoestima, sua energia, sua clareza.
Até que você começa a acreditar que o problema é você.
Não é.
O problema é que você ainda não aprendeu a se colocar.
E enquanto isso não muda, nada muda.
Porque não é sobre sentir menos.
É sobre parar de aceitar qualquer coisa em nome do que você sente.
